quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Grandola Vila Morena

Nos últimos dias somos confrontados com cânticos , em jeito de protesto.
Tenho muitas dúvidas se os que hoje a cantam saibam para que serviu.
Não foi a canção que fez a Revolução. Ela apenas serviu , como código, num determinado momento  em que um grupo de capitães , ajudados por um ou outro oficial superior, avançavam para um golpe militar.
A principal razão desse golpe tinha a ver com a sua carreira e com a guerra de África.
Não foram movidos  somente por uma vontade de libertar o povo de muitos anos de fascismo e obscurantismo, como depois se tentou 'vender' ao povo.
É verdade que o regime, embora com Marcelo Caetano estivesse a evidenciar alguma abertura, era retrogrado, controlador, com censura e falta de liberdade de expressão. No entanto , fascismo é outra coisa.
Mas voltando à canção e aos cantores, não pensem que basta cantar, mesmo que seja Zeca Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho , ou outros. A canção não libertou o país do regime. Quem o fez foi um grupo organizado, com um propósito corporativo.
Enganam-se e perdem tempo , arrisco mesmo dizer que fazem fraca figura, se continuarem com esta música.
O que o país precisa é de debate de ideias, de envolvimento dos melhores na política e na gestão pública, sem confrontos nem tensões sociais.Sem promover a inveja e a luta de classes.
Ganhámos a liberdade e a liberdade de expressão mas deixamos de nos expressar, de nos envolver, de saber contribuir para a sociedade em que queremos viver e que ansiamos que melhore.
Em resumo, não vamos lá com cantigas.
Cantigas e flores , sozinhas, não fazem as mudanças.

3 comentários:

  1. mas que grande verdade amiga! com cantigas não se vai a lado algum, agora o debate cívico e construtivo, a saída do comodismo para o envolvimento, o deixar de esperar que "os outros" façam e o "Governo resolva" isso já é outra cantiga!

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  2. É verdade que não basta. Mas que é uma forma de intervenção cujo poder às vezes surpreende lá isso ... a música pode mudar o mundo mesmo. Já houve várias que o fizeram. Não porque mudem directamente a realidade mas antes porque mudam a alma das pessoas. Não basta é verdade mas é uma forma de intervenção e sempre é melhor do que nada - isto desde que seja feita a propósito e com propósito. Já agora lindo nome de blog. Lembra-me um livro de Paul Guimard Les Choses de la Vie (também transformado em filme). Em uns segundos desfila uma vida.

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  3. Muito obrigada Fernando.
    Um beijinho

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