quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Como eu gostava de escrever assim

A forma simples e súbtil , um verdadeiro dom, com que alguns transformam as palavras em sentimento e nos tocam tão profundamente, sempre produziram em mim um efeito mágico e uma vontade de conseguir escrever assim.
Dou por mim a ler e a pensar... 'porque não sou capaz de escrever como ele, porque não me lembrei desta frase ou daquela?'.
Não se trata de inveja, é uma admiração profunda.

O meu 'comboio de corda' por vezes também 'gira, a entreter a razão'.

Aqui fica um exemplo, entre tantos e tão brilhantes que escreveu.


'O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.'


Fernando Pessoa in Presença , nº 36. Coimbra: Novembro 1932

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O desconfiado, o céptico , o paranóico e a fabula do Peru desconfiado.

Conhecem o provérbio 'quem é desconfiado não é certo'?
Pois ... Eu conheço desconfiados que o confirmam.
Às vezes a coisa fica tão grave que evolui para a paranóia.
Conhecem a fábula  do perú desconfiado?
É mais ou menos assim:
Era uma vez um perú e um galo que viviam muito felizes numa quinta.
Um belo dia apareceu uma raposa. O galo e o perú estavam em cima duma árvore.
O galo,tranquilo porque percebeu que a raposa não chegava lá acima, até dormiu.
O perú, muito desconfiado, deu voltas e mais voltas a controlar a raposa.Tantas voltas deu que ficou tonto e caiu da árvore.Acabou no bucho da raposa.
O galo pensou:coitado do perú , de tanto desconfiar cavou a sua sepultura.
Moral da fabula:há gente que de tanto desconfiar de tudo e de todos, vive com tanto medo que acaba por provocar a sua própria desgraça.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Os "Empatas" e os "Burrocratas" (assim mesmo, com dois erres)

Não sei se já alguma vez sentiram , em situações do dia a dia , ou de trabalho, que algumas pessoas são especialistas em complicar a vida dos outros.
Frases como 'isso é muito difícil ', 'não vai ser possível ', 'vai levar algum tempo', são especialidade destes seres.
O prazer que algumas pessoas têm em bloquear, não permitir e em complicar deve ter uma origem patológica , provavelmente conhecida do foro psiquiátrico .Um qualquer distúrbio da personalidade.
Conseguem , muitas vezes, transformar a nossa burocracia crónica em verdadeira burrocracia, a burocracia dos burros.
Desculpem, é que hoje tropecei num ser desta estirpe.
JDN

Acerca de mais uma greve do metro

Fala-se muito do défice do estado, mas pouco se tem falado - e feito - acerca do défice e da dívida acumulada monstruosa das empresas públicas de transportes. Resultado de décadas de desmando em que ninguém se quis, ou soube, opor aos vários interesses ali instalados - desde os trabalhadores aos gestores públicos, passando pelos responsáveis políticos - os altíssimos prejuízos apenas servem aqueles, à custa de todos os contribuintes. É pena, nomeadamente os líderes das centrais sindicais, nunca referirem estas realidades e, pelo contrário, apoiarem estas greves...

NN

Acordo ortográfico

Continua-se a ouvir um zumbido de fundo contra o acordo ortográfico. Será que alguém pensa que o português teria alguma hipótese de continuar a ser uma língua marcante sem o português do Brasil?

NN

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Da hipocrisia e do social e politicamente correcto


Ainda a propósito da Pepa, quando é que se vai começar a valorizar a verdade e a sinceridade? O que é que é afinal a chamada opinião dominante, senão as ideias defendidas por uma meia dúzia de pseudo bem pensantes e políticos sem coluna vertebral que, tendo acesso aos meios de comunicação, difundem tudo o que lhes parece ser suficientemente inócuo para não causar perturbações...
Começa a ser altura da maioria silenciosa - lembram-se ? -  que tem bom senso, obra feita e sem complexos se revoltar contra esta opressão da hipocrisia.
NN






Vistos para Moçambique

Acabei de ler na pagina do Facebook da TAP algo que me deixa chocada .
Qualquer português que queira viajar para Maputo deve ser portador de visto, emitido em Portugal e (pasmem) bilhete de ida e volta.
Aparentemente as autoridades locais não emitem vistos à chegada , o que implicará o repatriamento dos portugueses que cheguem sem os mesmos.
Só me apetece chamar-lhes ingratos. Melhor , até me apetecia dizer mais , mas é politicamente incorrecto
JDN