sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Peço Justiça

Há muito , muito tempo. Há tanto tempo que parece ter sido noutra vida, passei pelos Tribunais, como advogada estagiária e aprendi a pedir Justiça.
Nessa época a Justiça e todos os intervenientes eram sóbrios e recatados.
Hoje, na era das novas tecnologias e do mediatismo histérico e repetitivo, assistimos a um triste espetáculo, que todos alimentamos com a nossa curiosidade sórdida , contribuindo alegremente para a guerra das audiências , que geram , consequentemente, ganhos publicitários aqui ou ali.
Chegamos ao ponto em que os Tribunais fornecem informação aos media . Não sei quem nos Tribunais nem sei com que intuito o fazem.
Para alimentar o ego do Juiz ou do Procurador?
Para fomentar comportamentos dos arguidos ou dos investigados, com o objectivo de , através de escutas, alimentar a prova?
São suposições .
As penas agravam-se. O Juiz , que julga, vai mais longe do que o Ministério Público, que acusa.
Todos invocam o segredo de justiça, com a mesma leviandade com que o violam.
Muitos são presos para interrogatório, ainda que ninguém consiga perceber se existe o perigo que essa medida pressupõe .
Todos falam, demais. Todos. Juízes,Procuradores e (pasmo) até os arguidos.
Tanto acusàmos a Justiça de ineficaz que ela se transformou em Justiçeira. Parece determinada a demonstrar, com todo este aparato, que ninguém ficará impune, excepto, provavelmente a própria .
Quero, como todos nós , cidadãos comuns, que se investigue quando for o caso. Quero que se condenem os culpados mas não quero uma Justiça circense , imbuída de raiva ou de necessidade de provar que é o que deveria ser.
Se o segredo de justiça não serve os desígnios para que foi criado acabe-se com ele. O costume já o enterrou. É o proibido que o torna atrativo. É a nossa mania de gostar do pecado.
Neste momento em que se aponta o fim de um regime, será que se aponta também o fim da Justiça,
como a conhecemos ?
 É importante refletir sobre a separação de poderes. Deve haver independência mas não pode existir anarquia ou libertinagem Justiçeira .
Depois parece que a Justiça tem agenda... Agora não porque há eleições , depois não dá jeito porque temos um Banco para 'despachar', se agiu sobre a esquerda tem de compensar à direita.
Será que os cidadãos se sentem confortáveis e confiantes, com uma justiça assim?
O excesso de zelo , neste poder, é um perigo.


Há dias...

Há dias em que os dias são só dias Que nada acrescentam nesta vida Outros há que,de tão negros,vias Parecem de ordem invertida Há dias que parecem noites Há noites que parecem dias Há riqueza em cada tempo Ainda que os dispensarias Saber que há dias difíceis será A riqueza de conhecer o oposto Quem o sabe consciente está Da alegria e da vitória , um gosto.