sábado, 24 de agosto de 2013

Tiago Bettencourt & MANTHA - Eu Esperei

Eu, que me achava mais perdida do que à espera, mais independente do que integrante do que quer que fosse - quanto mais de um povo, de uma nação - vi em mim vontade de mudança através de uma música. Vi que sou mais Portugal do que pensava.
É ridículo que seja necessária uma música para me fazer ver - mas ao menos eu já vejo! É incrível como passados tantos anos a poesia continua a ser a melhor forma de descrever a nossa realidade.

Mas a verdade é que os sonhos continuam a arder em troca de qualquer futuro. As mentiras continuam a não passar de mentiras e a Justiça que é cega, ou devia ser, não faz jus à sua estátua. Todos se queixam mas ninguém dá os braços pela pátria. Revoltam-se mas não muito, mas não mudam. 
A geração que teve tudo e de tudo, que deveria fazer tudo para que os sonhos fossem o futuro baixa os braços e enche de saudade os corações daqueles que alguma vez pensaram ter feito mudança.
O país da justiça que vê, em troca de um povo cego que fala de fado como se o sentisse. Ou que só fala e prefere reconfortar-se com doces mentiras. 
A verdade é que sempre fomos fado. Mesmo quando ainda não o éramos, quando tivemos o mundo. Até aí já éramos fado.
E a democracia que veio substituir a ditadura mas que vem apenas como ilusão. Ao menos antes sabíamos com o que contar. Eu ainda espero que o meu povo acorde do fado eterno.



Mariana